12/15/2007


A tigresa ferida.

Pega de surpresa

Num momento de sutil abonança

Ferida na alma

Num raio de susto

Alma orgulhosa, ardorosa, amorosa.

Amor próprio exacerbado, porem necessário.

Sempre dona das situações

Sempre altiva, autoritária, suprema.

Puxaram seu pedestal no auge de sua glória

As escoriações são as cinzas para seu renascer

Caminhando no limbo, rastejando por caminhos escusos.

Reconstruindo sua persona nas trevas.

Esta prestes a ressurgir radiante

Transbordando de lasciva magnitude

Com suas ambições e sede de poder fortemente ampliado

Nunca pensem que uma tigresa fora derrotada por definitivo

Esta felina com garra afiada sempre segura o fio da vida e ressurgi das cinzas mais obscuras.

Com suas garra marca sempre por onde passa.

E escreve que a tigresa nunca perde a guerra

Apenas é enfraquecida em pequenas batalhas.

Retorna e distribui dor a quem lhe causou dores

E imenso amor a quem lhe ofereceu amor.


Vanessa Damásio.

8/26/2007


“Eu não posso causar mal nenhum, há não ser a mim mesmo”.

Numa destas conversas entre amigos surgem todos os tipos de assunto, inclusive discutir sobre filmes, e uma opinião em particular sobre o filme “Cazuza – O Tempo não para” me retomou a questionamentos que sempre quando é citada esta obra do cinema nacional tende a me incomodar.
O Cazuza que fez lindas músicas sobre a sociedade e sobre amores, que foi o jovem poeta e ícone do rock nacional anos 80, em sua vida particular não foi um “exemplo a ser seguido” se tivermos como paradigma o que a cultural judaico-cristão ocidental considera certo e errado. Porém seu comportamento particular seria um motivo muito forte que impossibilitasse a filmagem de uma longa metragem de sua biografia? Isso é colocado em xeque por muitos que o considera um mau exemplo que nunca se deve seguir. Então me pergunto também, se for assim, porque se faz filmes biográficos sobre sanguinários ditadores como Hitler e Stalin? Estes também não são exemplos a serem seguidos...
Porém a conjuntura das criticas sobre a importância do polêmico filme “Cazuza - O tempo não para” vem do fato dele mostrar a vida de um rapaz de classe média alta que teve tudo que quisesse na vida, porem era um dito “rebelde sem causa”, gay, usuário de drogas, farrista e no final de tudo ainda aidético, vai de encontro a este estigma que ele escolheu carregar quando por outro lado foi gênio na arte das palavras, autor de verdadeiras pérolas da musica brasileira e que até hoje é citado como influência por muitos artistas.
Não defendo a maneira como ele viveu a vida, porém também não vou crucificá-lo por ele ter escolhido viver daquela maneira. Foi fácil esta escolha para ele, porem ele viveu intensamente, morreu cedo mais viveu o que ele queria viver. Não era hipócrita, e principalmente não fazia mal nenhum a ninguém, a não ser a ele mesmo como o próprio disse.
E quanto aos rapazes da mesma classe dele nos dias atuais que espanca empregada domestica a caminho do trabalho ou que queima índio e se justificam dizendo que pensaram que fosse um mendigo? Estes sim não podem ser destacados, pois prejudica a sociedade como um todo, sem falar dos políticos em geral que lesa mais que diretamente nossas vidas diariamente, porem são homens de aparência e defensores da moral e dos bons costumes.
Em suma, este cara que foi um gay, bi, etc. que foi usuário das mais diversas drogas e que caia na farra sempre só abreviou a sua vida, foi exagerado em tudo, e só prejudicou a si mesmo, porem deixou seu legado artístico, fez algo pela cultura nacional, então deixemos de opiniões hipócritas e preconceituosas, abram suas mentes, larguem idéias arraigadas de boa conduta.

Vanessa Damásio.

5/04/2007


A cruel normalidade habita entre nós.

Num dia de domingo qualquer, na casa de uma amiga de minha irmã, estávamos todos reunidos, os pais dela, a minha mãe e os irmãos assistindo ao filme “ó pai, ó”, filme que se passa em sua maior arte no Pelourinho, retratando os moradores daquele local.
Como todos sabem, As ruas principais do bairro do Pelourinho foram reformadas e ocupadas por diversos estabelecimentos comerciais, desalojando assim, os antigos moradores, que constituiam pessoas de baixo poder aquisitivo.
O que fizeram com estas pessoas? Colocaram nos bairros mais distantes possíveis e imagináveis, como diz uma personagem do filme, até nas Cajazeiras 50. Estas atitudes não tiveram nenhum apoio contraditório da sociedade em geral, aliás, os hipócritas das classes mais altas adoram fazer isso, afastar aquilo que é realmente a dura realidade e viver sua vidinha fingindo que não existe os abaixo da linha da pobreza.
Pensamentos como, “o centro histórico depois da reforma melhorou em grande parte por ter retirado as meretrizes, cafetões e boêmios de lá.” Não que eu seja a favor de prostituição, nem contra, porem vamos ter a consciência que quando se trata de prostituição de alto luxo, com prostitutas universitárias de classe média alta ninguém tem nojo em passar e vê, pois passam despercebidas, como pessoas “de bem” que não sujam a imagem do lugar.
A expressão que mais me deu horror foi proferida por minha mãe, quando falou que depois da reforma teve uma “limpeza” em grande parte do Pelourinho, mais ainda existem ruas adjacentes que tem os antigos moradores. Limpeza? O que é isso? São palavras como estas que me assustam, não por serem ditas, mais por ninguém se assustar ao ouvi-las sendo usadas para refere-se a humanos como nós.
Contudo eu fico feliz por existirem locais bem perto do centro da cidade que tem as pessoas de baixa renda a incomodar as vistas dos que não queriam vê-los ali, quando passam a pé ou de carro, quando as madames sobem a Ladeira da Montanha para irem paras suas casas na Mansão dos Cardeais, corredor da Vitória e afins, trancafiadas em seus vidros fumês para nem sentirem o cheiro do local que desejam profundamente que não exista. O incomodo que causa quando de cima das suas varandas olhando para a Baia de Todos os Santos são obrigados a vê o bairro formado no Gamboa de baixo, por casas simples, porem com pessoas honestas que com o pouco que ganham sustenta suas famílias tentam da um futuro melhor as futuras gerações, com a precária educação pública mantenedora deste sistema que existe a mais de 500 anos em nossa terra, onde os abastados continuam a ter acesso as melhores escolas, aos melhores cargos, as melhores moradas, enquanto os menos favorecidos não lutar para tentar ultrapassar apenas um nível destas castas.
Para minha triste conclusão, o nosso querido centro histórico virou uma representação teatral dos tempos dos tempos colônias, onde as trançadeiras ficam nas ruas de pedra a ganhar algum trocado, mulheres fantasiadas de baianas do candomblé a cobras por fotos que turistas tiram delas, garis negros varem as ruas, ambulantes negros trafegam em busca de fregueses, mulheres negras dispostas a vender o corpo para turistas brancos que andam em charretes que são perfeitas réplicas das antigas, falta apenas o tronco no meio do Terreiro de Jesus e a Faculdade de Medicina voltar a funcionar, para que seus abastados estudantes façam as antigas arruaças e bagunças sem serem importunados pela polícia.

Vanessa Damásio.

4/14/2007


Eles também merecem respeito!

“Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.” Esta comovente frase do Pequeno Príncipe sob diferentes óticas toma diferentes interpretações, com concordância e discordância da mesma. Porem eu recorri a ela como base para retratar a relação homem e bichos.
Sou uma extrema defensora dos animais, às vezes me pego no extremo de ter mais afetividade a eles do que a qualquer humano. Esta acontecendo algo que me deixa de mãos atadas, pois não sei o que fazer e como solucionar a situação. A vizinha que morava na casa de cima da de minha mãe teve que se mudar, e em sua nova morada não pode ter animais de estimação. Ela tem uma cachorra chamada Kira e não pode levá-la junto com a mudança, então a deu para o dono da mercearia, que se mostrou interessado.
Estaria o caso solucionado para a indefesa Kira, se este novo dono não a esquece-se na rua em pleno fim de semana e a pobre cadela que não esta acostumada a ficar sozinha na rua ficasse a procura de um pouso. Minha mãe viu a cena e a trouxe para casa por uma noite, deu comida e abrigo, ligou para sua antiga dona para solucionar o caso. Agora ela está na casa de cima só, esperando pra saber o vão decidir sobre seu destino, pois ela não vai poder ficar lá a vida toda, pois os novos moradores vão chegar dentro de pouco tempo.
Retomo a frase do Pequeno Príncipe para expressar minha dor, principalmente por não ter solução nenhuma em mente. Quem se propõe a ter um animal, o cativa por anos, dando-lhe comida, abrigo e carinho, não pode deixá-lo assim a própria sorte. Vejo-os como filhos, que se não podemos ir para um local onde eles não podem ficar simplesmente procuramos outro que possa. Com os bichos ainda é mais delicado, pois eles não têm capacidade de comunicação que os humanos têm, quando acostumados muito tempo com um ritmo de vida, nunca aprenderá outro, a sobreviver sozinho como os cães de rua, nascidos e criados lá.
Choro por vê isso, ela só numa casa vazia, sem saber nada sobre seu futuro. Posso esta até exagerando, mais estou tomada por uma sensação de completa impotência por não poder fazer nada. Se eu pudesse não pensaria duas vezes, pegaria ela pra mim, mais não to dando conta de mim, imagine de outro. E se eu fizesse isso estaria contra o que penso, pois estaria eternamente comprometida com esta cadela indefesa, e não tenho recursos para esta responsabilidade. No entanto condeno quem a deixou, pois os animais são como filhos, são pra sempre, se não pode, não os tenha.

Vanessa Damásio.

4/08/2007


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu!"

Todo mundo tem dias de otimismo e péssimo. A migração entre estes dois pólos é essencial na vida do ser humano. Porem a cada dia que passa os sentimentos otimistas em mim derretem e descem pelo ralo, como a tinta que esta em nossa mão quando lavamos numa torneira.
Tem momentos na vida que nada parece dar certo, tudo que você se planeja fazer é errado, da errado, e acabamos nos sentindo inúteis...
As perspectivas para o futuro do mundo são as piores possíveis, principalmente para os subdesenvolvidos. As conseqüências da ação do homem na natureza são desiguais e quem não tem dinheiro, pois a África, continente que quase não polui a natureza, vai ser o principal atingido, isto só faz me entristecer.
No âmbito das coisas pequenas, no microcosmo que se resume minha vida, não sei que rumo tomar, ando perdida, cega, com os pés e as mãos amarradas. Sei que muitos vão dizer que existem pessoas em situação pior que a minha, situação de pura sobrevivência, como os sem-teto, os que não tem o que comer... Questões básicas. No entanto a alma também precisa de alimento, precisa sobreviver se tenho para a sobrevivência física, não tenho para a sobrevivência da alma, e esta quando esta doente é bem pior de curar quanto o encher uma barriga vazia.
Nós temos a estranha mania de olhar para o pior para nos sentirmos melhor, isto não funciona comigo, pois vê que tem semelhante em pior situação e me aliviar porque eu tô em melhor situação é ridículo, pois nada farei para melhorar a vida do outro. Como Sartre já dizia se existe alguém no mundo que não tem liberdade, que sofre com qualquer coisa que seja eu também não tenho, pois eu também corro o risco de um dia esta em igual situação! Em suma: ninguém é livre!
Contudo, todos os dias quando acordo, no lugar de orar, como fazem a maiorias das pessoas, eu me pergunto como um mantra: o que faz as pessoas não se matar diante deste mundo cão? Pergunta que eu tenho a resposta: A esperança de que existe a melhora. A maldita esperança que me castiga, que me faz quebrar a cara, que me atormenta todos os dias. Todos os dias eu mato um pouco a minha esperança, porem a miserável é resistente, não morre fácil, ficou com insuficiência respiratória uma vez, porem fora ressuscitada (droga!)
Mais sinto que ela já esta na UTI, e no dia que ela for embora, eu vou também, faço questão de dar fim na vida, este dia esta próximo!
Sou uma pessoa muito solitária, sempre fui. Minha criação foi direcionada para isto, sempre ouvindo dizer que ninguém liga para o outro. Considero-me uma pessoa melhor quanto a isto, pois o que antes procurava o isolamento, a distancia da sociedade, procuro o convívio social. Porem o fantasma da solidão me ronda, em casa, na faculdade, na rua... Como somos indiferentes. Sinto-me uma estranha em minha casa, com minha mãe, minha irmã... Percebo que não faço falta a ninguém!
Este texto é apenas um breve ensaio do meu ultimo adeus!

Vanessa Damásio.

3/21/2007

Depois de muito tempo sem postar nada (porque não adianta posta se ninguem lê ou comenta) eu voltei e espero que os indices de audência aumentem... (isso aki ta parecendo programa de Auditótio).

O dia em que o Mais Você me trouxe algo de util...

Fico até sem jeito, mais estou motivada a escrever hoje por causa do programa da Ana Maria Braga. Ela falou sobre o dia internacional de luta contra a descriminação racial, que eh hoje dia 21 de março. É nesta data porque oconteceu na África do Sul, no periodo do Aparthaid uma manisfestação pacífica, onde militantes negros deste país se recusaram a andar fora da calçada (que era se uso exclusivo dos brancos) e começaram a simplismente caminha junto com os ditos "cidadãos de bem". Esta atitude custou caro, pois sem pestanejar a policia atirou e matou todos...
Foram convidados para o programa a irmã do estudante de odontologia assassinado por policias em SP por ser confundido com um assaltante (pelo fato de ser negro) e o ator Milton Gonsalves (este calejado de ser escravo e motorista em novelas da globo). A discursão esta interessante, me fez despertar para vários aspectos de minha própria vida, de auto- conhecimento, como por exemplo: Os negros não se admitem negros, não querem ser negros, preferem ser pardo, moreninho, cabo verde e tudo mais.
Isto foi algo que me fez lembrar da minha infância e adolescência, onde eu não queira ter o nariz que tenho, não queria ter o cabelo que tenho, fazia de mil artificios para ficar dentro dos padrões de beleza estabelicidos. Me sentia feia, era horrivel. Só na vida acadêmica, conhecendo outro universo, me conhecendo de verdade, vi perceber como eu sou especial, que eu fico mais bonita assumindo meus cabelos crespos ou trançado do que alisando...me olho no espelho e coloco minha faixa colorida, me sinto bem...
Acho este um passo importante para vencer as dificuldades do preconceito covarde de nossa socieadade, se conhecer, conhercer a historia de verdade e assumir a beleza de ser negro.
Ah! ia me esquecendo! Tudo ia muito bem na discursão, se não fosse um detalhe: Quando Ana Maria elogiou irmã do dentista dizendo que ela é uma "negra linda".
Podem me chamar de um pouco psicotica, porem estes pequenos detalhes revelam o quanto o preconceito esta entranhado em nosso sub-conciênte,pois por que não falar mulher linda! Ninguem fala que Ana Hickma é uma branca linda! Será porque em nosso incociente coletivo ser negra linda é uma exceção a ser destacda, que o normal é ser feia mesmo?