
"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu!"
Todo mundo tem dias de otimismo e péssimo. A migração entre estes dois pólos é essencial na vida do ser humano. Porem a cada dia que passa os sentimentos otimistas em mim derretem e descem pelo ralo, como a tinta que esta em nossa mão quando lavamos numa torneira.
Tem momentos na vida que nada parece dar certo, tudo que você se planeja fazer é errado, da errado, e acabamos nos sentindo inúteis...
As perspectivas para o futuro do mundo são as piores possíveis, principalmente para os subdesenvolvidos. As conseqüências da ação do homem na natureza são desiguais e quem não tem dinheiro, pois a África, continente que quase não polui a natureza, vai ser o principal atingido, isto só faz me entristecer.
No âmbito das coisas pequenas, no microcosmo que se resume minha vida, não sei que rumo tomar, ando perdida, cega, com os pés e as mãos amarradas. Sei que muitos vão dizer que existem pessoas em situação pior que a minha, situação de pura sobrevivência, como os sem-teto, os que não tem o que comer... Questões básicas. No entanto a alma também precisa de alimento, precisa sobreviver se tenho para a sobrevivência física, não tenho para a sobrevivência da alma, e esta quando esta doente é bem pior de curar quanto o encher uma barriga vazia.
Nós temos a estranha mania de olhar para o pior para nos sentirmos melhor, isto não funciona comigo, pois vê que tem semelhante em pior situação e me aliviar porque eu tô em melhor situação é ridículo, pois nada farei para melhorar a vida do outro. Como Sartre já dizia se existe alguém no mundo que não tem liberdade, que sofre com qualquer coisa que seja eu também não tenho, pois eu também corro o risco de um dia esta em igual situação! Em suma: ninguém é livre!
Contudo, todos os dias quando acordo, no lugar de orar, como fazem a maiorias das pessoas, eu me pergunto como um mantra: o que faz as pessoas não se matar diante deste mundo cão? Pergunta que eu tenho a resposta: A esperança de que existe a melhora. A maldita esperança que me castiga, que me faz quebrar a cara, que me atormenta todos os dias. Todos os dias eu mato um pouco a minha esperança, porem a miserável é resistente, não morre fácil, ficou com insuficiência respiratória uma vez, porem fora ressuscitada (droga!)
Mais sinto que ela já esta na UTI, e no dia que ela for embora, eu vou também, faço questão de dar fim na vida, este dia esta próximo!
Sou uma pessoa muito solitária, sempre fui. Minha criação foi direcionada para isto, sempre ouvindo dizer que ninguém liga para o outro. Considero-me uma pessoa melhor quanto a isto, pois o que antes procurava o isolamento, a distancia da sociedade, procuro o convívio social. Porem o fantasma da solidão me ronda, em casa, na faculdade, na rua... Como somos indiferentes. Sinto-me uma estranha em minha casa, com minha mãe, minha irmã... Percebo que não faço falta a ninguém!
Este texto é apenas um breve ensaio do meu ultimo adeus!
Vanessa Damásio.