4/14/2007


Eles também merecem respeito!

“Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.” Esta comovente frase do Pequeno Príncipe sob diferentes óticas toma diferentes interpretações, com concordância e discordância da mesma. Porem eu recorri a ela como base para retratar a relação homem e bichos.
Sou uma extrema defensora dos animais, às vezes me pego no extremo de ter mais afetividade a eles do que a qualquer humano. Esta acontecendo algo que me deixa de mãos atadas, pois não sei o que fazer e como solucionar a situação. A vizinha que morava na casa de cima da de minha mãe teve que se mudar, e em sua nova morada não pode ter animais de estimação. Ela tem uma cachorra chamada Kira e não pode levá-la junto com a mudança, então a deu para o dono da mercearia, que se mostrou interessado.
Estaria o caso solucionado para a indefesa Kira, se este novo dono não a esquece-se na rua em pleno fim de semana e a pobre cadela que não esta acostumada a ficar sozinha na rua ficasse a procura de um pouso. Minha mãe viu a cena e a trouxe para casa por uma noite, deu comida e abrigo, ligou para sua antiga dona para solucionar o caso. Agora ela está na casa de cima só, esperando pra saber o vão decidir sobre seu destino, pois ela não vai poder ficar lá a vida toda, pois os novos moradores vão chegar dentro de pouco tempo.
Retomo a frase do Pequeno Príncipe para expressar minha dor, principalmente por não ter solução nenhuma em mente. Quem se propõe a ter um animal, o cativa por anos, dando-lhe comida, abrigo e carinho, não pode deixá-lo assim a própria sorte. Vejo-os como filhos, que se não podemos ir para um local onde eles não podem ficar simplesmente procuramos outro que possa. Com os bichos ainda é mais delicado, pois eles não têm capacidade de comunicação que os humanos têm, quando acostumados muito tempo com um ritmo de vida, nunca aprenderá outro, a sobreviver sozinho como os cães de rua, nascidos e criados lá.
Choro por vê isso, ela só numa casa vazia, sem saber nada sobre seu futuro. Posso esta até exagerando, mais estou tomada por uma sensação de completa impotência por não poder fazer nada. Se eu pudesse não pensaria duas vezes, pegaria ela pra mim, mais não to dando conta de mim, imagine de outro. E se eu fizesse isso estaria contra o que penso, pois estaria eternamente comprometida com esta cadela indefesa, e não tenho recursos para esta responsabilidade. No entanto condeno quem a deixou, pois os animais são como filhos, são pra sempre, se não pode, não os tenha.

Vanessa Damásio.

4/08/2007


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu!"

Todo mundo tem dias de otimismo e péssimo. A migração entre estes dois pólos é essencial na vida do ser humano. Porem a cada dia que passa os sentimentos otimistas em mim derretem e descem pelo ralo, como a tinta que esta em nossa mão quando lavamos numa torneira.
Tem momentos na vida que nada parece dar certo, tudo que você se planeja fazer é errado, da errado, e acabamos nos sentindo inúteis...
As perspectivas para o futuro do mundo são as piores possíveis, principalmente para os subdesenvolvidos. As conseqüências da ação do homem na natureza são desiguais e quem não tem dinheiro, pois a África, continente que quase não polui a natureza, vai ser o principal atingido, isto só faz me entristecer.
No âmbito das coisas pequenas, no microcosmo que se resume minha vida, não sei que rumo tomar, ando perdida, cega, com os pés e as mãos amarradas. Sei que muitos vão dizer que existem pessoas em situação pior que a minha, situação de pura sobrevivência, como os sem-teto, os que não tem o que comer... Questões básicas. No entanto a alma também precisa de alimento, precisa sobreviver se tenho para a sobrevivência física, não tenho para a sobrevivência da alma, e esta quando esta doente é bem pior de curar quanto o encher uma barriga vazia.
Nós temos a estranha mania de olhar para o pior para nos sentirmos melhor, isto não funciona comigo, pois vê que tem semelhante em pior situação e me aliviar porque eu tô em melhor situação é ridículo, pois nada farei para melhorar a vida do outro. Como Sartre já dizia se existe alguém no mundo que não tem liberdade, que sofre com qualquer coisa que seja eu também não tenho, pois eu também corro o risco de um dia esta em igual situação! Em suma: ninguém é livre!
Contudo, todos os dias quando acordo, no lugar de orar, como fazem a maiorias das pessoas, eu me pergunto como um mantra: o que faz as pessoas não se matar diante deste mundo cão? Pergunta que eu tenho a resposta: A esperança de que existe a melhora. A maldita esperança que me castiga, que me faz quebrar a cara, que me atormenta todos os dias. Todos os dias eu mato um pouco a minha esperança, porem a miserável é resistente, não morre fácil, ficou com insuficiência respiratória uma vez, porem fora ressuscitada (droga!)
Mais sinto que ela já esta na UTI, e no dia que ela for embora, eu vou também, faço questão de dar fim na vida, este dia esta próximo!
Sou uma pessoa muito solitária, sempre fui. Minha criação foi direcionada para isto, sempre ouvindo dizer que ninguém liga para o outro. Considero-me uma pessoa melhor quanto a isto, pois o que antes procurava o isolamento, a distancia da sociedade, procuro o convívio social. Porem o fantasma da solidão me ronda, em casa, na faculdade, na rua... Como somos indiferentes. Sinto-me uma estranha em minha casa, com minha mãe, minha irmã... Percebo que não faço falta a ninguém!
Este texto é apenas um breve ensaio do meu ultimo adeus!

Vanessa Damásio.