
Eles também merecem respeito!
“Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.” Esta comovente frase do Pequeno Príncipe sob diferentes óticas toma diferentes interpretações, com concordância e discordância da mesma. Porem eu recorri a ela como base para retratar a relação homem e bichos.
Sou uma extrema defensora dos animais, às vezes me pego no extremo de ter mais afetividade a eles do que a qualquer humano. Esta acontecendo algo que me deixa de mãos atadas, pois não sei o que fazer e como solucionar a situação. A vizinha que morava na casa de cima da de minha mãe teve que se mudar, e em sua nova morada não pode ter animais de estimação. Ela tem uma cachorra chamada Kira e não pode levá-la junto com a mudança, então a deu para o dono da mercearia, que se mostrou interessado.
Estaria o caso solucionado para a indefesa Kira, se este novo dono não a esquece-se na rua em pleno fim de semana e a pobre cadela que não esta acostumada a ficar sozinha na rua ficasse a procura de um pouso. Minha mãe viu a cena e a trouxe para casa por uma noite, deu comida e abrigo, ligou para sua antiga dona para solucionar o caso. Agora ela está na casa de cima só, esperando pra saber o vão decidir sobre seu destino, pois ela não vai poder ficar lá a vida toda, pois os novos moradores vão chegar dentro de pouco tempo.
Retomo a frase do Pequeno Príncipe para expressar minha dor, principalmente por não ter solução nenhuma em mente. Quem se propõe a ter um animal, o cativa por anos, dando-lhe comida, abrigo e carinho, não pode deixá-lo assim a própria sorte. Vejo-os como filhos, que se não podemos ir para um local onde eles não podem ficar simplesmente procuramos outro que possa. Com os bichos ainda é mais delicado, pois eles não têm capacidade de comunicação que os humanos têm, quando acostumados muito tempo com um ritmo de vida, nunca aprenderá outro, a sobreviver sozinho como os cães de rua, nascidos e criados lá.
Choro por vê isso, ela só numa casa vazia, sem saber nada sobre seu futuro. Posso esta até exagerando, mais estou tomada por uma sensação de completa impotência por não poder fazer nada. Se eu pudesse não pensaria duas vezes, pegaria ela pra mim, mais não to dando conta de mim, imagine de outro. E se eu fizesse isso estaria contra o que penso, pois estaria eternamente comprometida com esta cadela indefesa, e não tenho recursos para esta responsabilidade. No entanto condeno quem a deixou, pois os animais são como filhos, são pra sempre, se não pode, não os tenha.
Vanessa Damásio.

