
“Eu não posso causar mal nenhum, há não ser a mim mesmo”.
Numa destas conversas entre amigos surgem todos os tipos de assunto, inclusive discutir sobre filmes, e uma opinião em particular sobre o filme “Cazuza – O Tempo não para” me retomou a questionamentos que sempre quando é citada esta obra do cinema nacional tende a me incomodar.
O Cazuza que fez lindas músicas sobre a sociedade e sobre amores, que foi o jovem poeta e ícone do rock nacional anos 80, em sua vida particular não foi um “exemplo a ser seguido” se tivermos como paradigma o que a cultural judaico-cristão ocidental considera certo e errado. Porém seu comportamento particular seria um motivo muito forte que impossibilitasse a filmagem de uma longa metragem de sua biografia? Isso é colocado em xeque por muitos que o considera um mau exemplo que nunca se deve seguir. Então me pergunto também, se for assim, porque se faz filmes biográficos sobre sanguinários ditadores como Hitler e Stalin? Estes também não são exemplos a serem seguidos...
Porém a conjuntura das criticas sobre a importância do polêmico filme “Cazuza - O tempo não para” vem do fato dele mostrar a vida de um rapaz de classe média alta que teve tudo que quisesse na vida, porem era um dito “rebelde sem causa”, gay, usuário de drogas, farrista e no final de tudo ainda aidético, vai de encontro a este estigma que ele escolheu carregar quando por outro lado foi gênio na arte das palavras, autor de verdadeiras pérolas da musica brasileira e que até hoje é citado como influência por muitos artistas.
Não defendo a maneira como ele viveu a vida, porém também não vou crucificá-lo por ele ter escolhido viver daquela maneira. Foi fácil esta escolha para ele, porem ele viveu intensamente, morreu cedo mais viveu o que ele queria viver. Não era hipócrita, e principalmente não fazia mal nenhum a ninguém, a não ser a ele mesmo como o próprio disse.
E quanto aos rapazes da mesma classe dele nos dias atuais que espanca empregada domestica a caminho do trabalho ou que queima índio e se justificam dizendo que pensaram que fosse um mendigo? Estes sim não podem ser destacados, pois prejudica a sociedade como um todo, sem falar dos políticos em geral que lesa mais que diretamente nossas vidas diariamente, porem são homens de aparência e defensores da moral e dos bons costumes.
Em suma, este cara que foi um gay, bi, etc. que foi usuário das mais diversas drogas e que caia na farra sempre só abreviou a sua vida, foi exagerado em tudo, e só prejudicou a si mesmo, porem deixou seu legado artístico, fez algo pela cultura nacional, então deixemos de opiniões hipócritas e preconceituosas, abram suas mentes, larguem idéias arraigadas de boa conduta.
Vanessa Damásio.
