11/10/2008


I have dream...

“Eu tenho um sonho... neste sonho o homem será julgado pelo seu caráter, pela suas idéias, pela sua personalidade e não pela cor da sua pele.” (Martin Luther King)

Esta pequena frase do título deste texto foi pronunciada por Martim Luther King á mais ou menos 40 anos atrás, onde existia a segregação institucionalizada nos Estados Unidos da América, na qual um negro não podia freqüentar as mesmas escolas que os brancos, não podiam viajar no mesmo ônibus ou no mesmo lado dos brancos, onde as escolas eram feitas uma pra brancos outra para negros, onde existiam templos exclusivos pra negros e para brancos.
A história deste país no que diz a questões raciais é complicada nos embates que existiram e simples, na sua forma. Lá o racismo nunca fora às escondidas, velado, fingido, sempre foi às claras, agressivo, ostensivo, com grupos de extermínio como a Klu-klux-klan, que saia a queimar e matar negros, onde um garoto que dava “psiu” a uma mulher branca e este era morto. Tudo era agressivo, era sangrento. Porem o inimigo sempre foi declarado, e desta forma o combate foi ostensivo da mesma maneira, assim houve as transformações, que chegou ao ápice com a eleição de Barak Obama para presidente desta nação agora em 2008, este ano vai ficar marcado na história da humanidade, pois um país extremamente conservador, protestante, nacionalista, xenófobo, elegeu um homem negro, filho de uma branca norte-americana e um queniano negro que moraram com seu padrasto na Indonésia e finalmente no estado americano do Havaí.
Desta forma, este homem cosmopolita, que carrega em sua vida e cultura diversas partes do mundo, agora é presidente da nação mais influente e poderosa, nação esta que decide e influencia diretamente o mundo inteiro. E estas características nunca foram valorizadas pelos norte-americanos, e agora, imbuídos de um enorme desejo de mudança, onde viram que velhos valores e tradições estavam fincadas em pés de barro, que neste ultimo governo de George W. Bush mostrou o que há de pior nestes valores, finalmente abriram os olhos e acordaram da cegueira branca, a cegueira que me lembra a de José Saramago, e finalmente enxergam a realidade ao redor.
Pena que Luther King não esta vivo para vê que seu sonho se tornou realidade, que um homem em seu país foi finalmente julgado pelas suas idéias, pelo seu caráter, pelos seus ideais, e não pela cor da sua pele, mais muitos de seus colegas de lutas pela igualdade dos negros assistiram a esse dia histórico, como Reverendo Jackson e uma senhora negra de 102 anos que fez questão de ir votar e contribuir para esta mudança que nas palavras dela não esperava que fosse alcançar assistir em vida.
De certa forma, o racismo e diversos preconceitos ostensivos contribuíram para uma luta mais forte, mais ostensiva, sem críticas do tipo “pra que isso tudo?”, “não é necessária tanta força nessa luta”, porque o inimigo estava ali bem a frente, e não camuflado como acontece aqui em nosso país, e como diria os grandes combatentes de guerra, os estrategistas: “Antes um inimigo declarado que um falso amigo”.
Como temos a incrível cultura de imitar tudo que vem dos Eua, espero que copiem esta consciência de julgar as pessoas pelo seu caráter e idéias e competência para exercer o que esta se pretendendo fazer, e não pela cor da sua pele. E que tenhamos vergonha na cara para assumir a nossa verdadeira face, a assumamos que somos preconceituosos sim, que aqui existe racismo, que não é país igual, onde o preconceito que existe é o sócio-econômico, deixemos de ser hipócritas, fingindo tratar o outro igual, mais que nos recônditos de suas decisões os preconceitos vem a tona para prejudicar os que não pertencem a classe do fenótipo branco.
Sei que muitos vão discordar de mim, que vão me achar radical nas minhas colocações, porem foi eu quem ouviu a seguinte pergunta esta semana por usar meu cabelo natural, sem alisamento, com suas verdadeiras características: “Seu cabelo assim não coça não? Assim, quando bate o Sol, não fica coçando não?”. Eu simplesmente disse: - “Eu lavo meu cabelo, meu cabelo é limpo, ele esta natural, solto, o vento refresca tudo aqui, não há nada para coçar ou para abafar, o que faz coçar cabelo é sujeira, é igual qualquer cabelo que fique solto, inclusive o liso, que ao bater o Sol e ele estando limpo, não vai coçar.”.
Só me resta dizer que o racismo esta aí, nestes pequenos comentários, onde deixa claro que as características raciais do negro trás aspectos sujos, que o que é aparentemente mais higiênico é um cabelo alisado, mesmo que este, como muito que já vi por aí estejam realmente sujos e coçando. E então? Diante deste fato, me digam, nosso nos dias atuais o preconceito é somente de ordem sócio-econômica? Se acharem que sim, ainda está na cegueira branca, a cegueira do Saramago.

Vanessa Damásio.

8/03/2008


Mulher

"Mulher, eu quase não consigo expressar
Minhas emoções confusas na minha negligência.
Afinal de contas, estou eternamente em dívida com você.
E, mulher, eu tentarei expressar
Meus sentimentos interiores e gratidão
Por me mostrar o significado do sucesso.

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.

Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem.
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos.
E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração
Por mais que [estejamos] distantes, não nos mantenha separados.
Afinal de contas, está escrito nas estrelas...

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo,
Bem...

Mulher, por favor deixe-me explicar:
Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor.
Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo:

Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim..."

É raro, porem existiu um homem com essa sensibilidade, esta capacidade de nos retratar e nos respeitar. Yoko Ono foi uma mulher de sorte, e o mundo também por ter permitido que ele se expressa-se e nos mostrando sua grande capacidade de retratar através da musica situações recorrentes em nossas vidas.

Tradução de "Woman" (letra e musica de John Lennon)


7/26/2008


2004 – 2008: o que somos agora quatro anos depois?

Cá estou, depois de vê uma foto sob a qual tinha a legenda: 2004.

Pensamentos recorrentes sugiram depois desta leitura, pensamentos do tipo: tem quatro anos essa foto??? Parece que foi tirada ontem! Parece que foi ontem que eu sair do 3º ano do ensino médio, parece que foi ontem que estava com medo de perder em matemática e que estava sem saber o que profissão escolher para fazer vestibular. Quanta coisa mudou...

O Brasil mudou o que antes era inicio de um governo onde fora depositado confiança de que haveria mudanças no ritmo de ser orquestrado, continuou a mesma coisa. Decepção geral, revoltas dos eleitores e o alcance da seguinte conclusão: o que interessa é o poder!

A cidade do Salvador mudou, e como mudou! Quando a quatro anos atrás nos gabávamos em dizer que apesar de seus problemas, aqui era uma cidade grande porem não tão violenta quanto o Rio de Janeiro, andávamos de ônibus mais tranqüilos, não existia toque de recolher nos bairros periféricos, não havia este medo constante que esta instaurado hoje. Não existe mais dizer: “O Rio de Janeiro é pior do que aqui, lá não tem solução, não saiu daqui de Salvador.” O que existe agora é: “Salvador estar igual ao Rio, a diferença é que aqui não há morros. Se continuar assim vou providenciar morar e construir minha vida em outro lugar!”

Meus amigos, colegas contemporâneos de escola mudaram, e como mudaram, nossas conversas mudaram, nossas maneiras mudaram, nossos desejos e anseios mudaram, eu só percebo que uma coisa não mudou: a vontade de ir alem do alcançado, isso se adapta de acordo com a natureza de cada um, porém todos querem ir mais longe do que estão.

Entramos no mundo adulto, o tão desejado e temido mundo adulto! Na hora das brigas em suas famílias, com seus país e responsáveis queríamos ser logo adultos, trabalhar e morar só, sem ter ninguém pra mandar na gente. Falávamos o que pensávamos, protestávamos quando nos encontravam em momentos de injustiça e desvalorização, acreditamos que quando estivéssemos no lugar “deles” faríamos diferente: Esse negocio de chefe nos oprimir, de colegas de trabalho fazer intrigas para nos prejudicar não ia acontecer se fosse nós que estivéssemos no lugar deles... Como éramos inocentes e juvenis ao dizermos isso, estamos cometendo os mesmos erros, ou acertos... Não sei definir o que é certo e errado, só sei dizer que estamos sendo iguais a todo nosso passado, e construindo o futuro de forma igual.

Um nó na garganta me toma agora, um nó de saudades dos tempos de colégio, dos tempos em que eu realmente acreditava em mudar o mundo, que eu seria independente, que não levaria desaforo pra casa, saudades de acorda estudar e para a escola, filar alguma ali outra aqui, e adorar quando tocava a sirene anunciando o intervalo, saudades das brincadeiras de bicicleta e patins na rua, de ficar sem querer ir pra escola quando o Vitória perdia e tinha que agüentar a perturbação dos tricolores, dos jogos de dominó e dos professores, até dos professores mais odiados eu sinto falta, como era bom falar mal deles...

O jeito é enfrentar e continuar no mundo adulto, nesse mundo de medo: medo de perder o emprego, medo de não conseguir pagar as contas, medo de não melhorar, medo de não da o grito de libertação do sistema em que vivemos, ou simplesmente de não sermos pertencentes à classe dominante do sistema, até porque todos têm o direito de querer objetivos diferentes! O segredo no entanto é não perder a pequena parte do que fomos na infância e na adolescência, no final de tudo fazer uma brincadeirinha e pensar: Pois é, diante de tantos problemas eu ainda consigo me divertir! Viu uma criança e deu vontade de brincar com ela de bola, de bicicleta e patins: brinque esqueça a idade que tem, entre na idade deles, pois um dia você também foi criança e isso ainda estar guardado em si! Gosta de bichos, fica um idiota diante deles, fique um idiota e não tenha vergonha disso, pois isso nos dá uma leveza tão grande, um estímulo para a luta cotidiana. Vamos ser a exceção desta regra que dói em ser seguida, não tenhamos vergonha de ser e ter atitudes de criança e de um adolescente inconseqüente pelo menos em um momento do dia!

Vanessa Damásio.