7/26/2008


2004 – 2008: o que somos agora quatro anos depois?

Cá estou, depois de vê uma foto sob a qual tinha a legenda: 2004.

Pensamentos recorrentes sugiram depois desta leitura, pensamentos do tipo: tem quatro anos essa foto??? Parece que foi tirada ontem! Parece que foi ontem que eu sair do 3º ano do ensino médio, parece que foi ontem que estava com medo de perder em matemática e que estava sem saber o que profissão escolher para fazer vestibular. Quanta coisa mudou...

O Brasil mudou o que antes era inicio de um governo onde fora depositado confiança de que haveria mudanças no ritmo de ser orquestrado, continuou a mesma coisa. Decepção geral, revoltas dos eleitores e o alcance da seguinte conclusão: o que interessa é o poder!

A cidade do Salvador mudou, e como mudou! Quando a quatro anos atrás nos gabávamos em dizer que apesar de seus problemas, aqui era uma cidade grande porem não tão violenta quanto o Rio de Janeiro, andávamos de ônibus mais tranqüilos, não existia toque de recolher nos bairros periféricos, não havia este medo constante que esta instaurado hoje. Não existe mais dizer: “O Rio de Janeiro é pior do que aqui, lá não tem solução, não saiu daqui de Salvador.” O que existe agora é: “Salvador estar igual ao Rio, a diferença é que aqui não há morros. Se continuar assim vou providenciar morar e construir minha vida em outro lugar!”

Meus amigos, colegas contemporâneos de escola mudaram, e como mudaram, nossas conversas mudaram, nossas maneiras mudaram, nossos desejos e anseios mudaram, eu só percebo que uma coisa não mudou: a vontade de ir alem do alcançado, isso se adapta de acordo com a natureza de cada um, porém todos querem ir mais longe do que estão.

Entramos no mundo adulto, o tão desejado e temido mundo adulto! Na hora das brigas em suas famílias, com seus país e responsáveis queríamos ser logo adultos, trabalhar e morar só, sem ter ninguém pra mandar na gente. Falávamos o que pensávamos, protestávamos quando nos encontravam em momentos de injustiça e desvalorização, acreditamos que quando estivéssemos no lugar “deles” faríamos diferente: Esse negocio de chefe nos oprimir, de colegas de trabalho fazer intrigas para nos prejudicar não ia acontecer se fosse nós que estivéssemos no lugar deles... Como éramos inocentes e juvenis ao dizermos isso, estamos cometendo os mesmos erros, ou acertos... Não sei definir o que é certo e errado, só sei dizer que estamos sendo iguais a todo nosso passado, e construindo o futuro de forma igual.

Um nó na garganta me toma agora, um nó de saudades dos tempos de colégio, dos tempos em que eu realmente acreditava em mudar o mundo, que eu seria independente, que não levaria desaforo pra casa, saudades de acorda estudar e para a escola, filar alguma ali outra aqui, e adorar quando tocava a sirene anunciando o intervalo, saudades das brincadeiras de bicicleta e patins na rua, de ficar sem querer ir pra escola quando o Vitória perdia e tinha que agüentar a perturbação dos tricolores, dos jogos de dominó e dos professores, até dos professores mais odiados eu sinto falta, como era bom falar mal deles...

O jeito é enfrentar e continuar no mundo adulto, nesse mundo de medo: medo de perder o emprego, medo de não conseguir pagar as contas, medo de não melhorar, medo de não da o grito de libertação do sistema em que vivemos, ou simplesmente de não sermos pertencentes à classe dominante do sistema, até porque todos têm o direito de querer objetivos diferentes! O segredo no entanto é não perder a pequena parte do que fomos na infância e na adolescência, no final de tudo fazer uma brincadeirinha e pensar: Pois é, diante de tantos problemas eu ainda consigo me divertir! Viu uma criança e deu vontade de brincar com ela de bola, de bicicleta e patins: brinque esqueça a idade que tem, entre na idade deles, pois um dia você também foi criança e isso ainda estar guardado em si! Gosta de bichos, fica um idiota diante deles, fique um idiota e não tenha vergonha disso, pois isso nos dá uma leveza tão grande, um estímulo para a luta cotidiana. Vamos ser a exceção desta regra que dói em ser seguida, não tenhamos vergonha de ser e ter atitudes de criança e de um adolescente inconseqüente pelo menos em um momento do dia!

Vanessa Damásio.

2 comments:

Unknown said...

pow van...
adorei!
ina

Wânia Dias said...

A saudade dói neh.... aperta o peito... Também sinto falta da época em que a única coisa que nos preocupava eram as notas na escola...
Mas, finalmente (e infelizmente) crescemos...
E o que nos resta são as lembranças de um tempo bom que passou e não volta mais....

bjo xuuuu