
I have dream...
“Eu tenho um sonho... neste sonho o homem será julgado pelo seu caráter, pela suas idéias, pela sua personalidade e não pela cor da sua pele.” (Martin Luther King)
Esta pequena frase do título deste texto foi pronunciada por Martim Luther King á mais ou menos 40 anos atrás, onde existia a segregação institucionalizada nos Estados Unidos da América, na qual um negro não podia freqüentar as mesmas escolas que os brancos, não podiam viajar no mesmo ônibus ou no mesmo lado dos brancos, onde as escolas eram feitas uma pra brancos outra para negros, onde existiam templos exclusivos pra negros e para brancos.
A história deste país no que diz a questões raciais é complicada nos embates que existiram e simples, na sua forma. Lá o racismo nunca fora às escondidas, velado, fingido, sempre foi às claras, agressivo, ostensivo, com grupos de extermínio como a Klu-klux-klan, que saia a queimar e matar negros, onde um garoto que dava “psiu” a uma mulher branca e este era morto. Tudo era agressivo, era sangrento. Porem o inimigo sempre foi declarado, e desta forma o combate foi ostensivo da mesma maneira, assim houve as transformações, que chegou ao ápice com a eleição de Barak Obama para presidente desta nação agora em 2008, este ano vai ficar marcado na história da humanidade, pois um país extremamente conservador, protestante, nacionalista, xenófobo, elegeu um homem negro, filho de uma branca norte-americana e um queniano negro que moraram com seu padrasto na Indonésia e finalmente no estado americano do Havaí.
Desta forma, este homem cosmopolita, que carrega em sua vida e cultura diversas partes do mundo, agora é presidente da nação mais influente e poderosa, nação esta que decide e influencia diretamente o mundo inteiro. E estas características nunca foram valorizadas pelos norte-americanos, e agora, imbuídos de um enorme desejo de mudança, onde viram que velhos valores e tradições estavam fincadas em pés de barro, que neste ultimo governo de George W. Bush mostrou o que há de pior nestes valores, finalmente abriram os olhos e acordaram da cegueira branca, a cegueira que me lembra a de José Saramago, e finalmente enxergam a realidade ao redor.
Pena que Luther King não esta vivo para vê que seu sonho se tornou realidade, que um homem em seu país foi finalmente julgado pelas suas idéias, pelo seu caráter, pelos seus ideais, e não pela cor da sua pele, mais muitos de seus colegas de lutas pela igualdade dos negros assistiram a esse dia histórico, como Reverendo Jackson e uma senhora negra de 102 anos que fez questão de ir votar e contribuir para esta mudança que nas palavras dela não esperava que fosse alcançar assistir em vida.
De certa forma, o racismo e diversos preconceitos ostensivos contribuíram para uma luta mais forte, mais ostensiva, sem críticas do tipo “pra que isso tudo?”, “não é necessária tanta força nessa luta”, porque o inimigo estava ali bem a frente, e não camuflado como acontece aqui em nosso país, e como diria os grandes combatentes de guerra, os estrategistas: “Antes um inimigo declarado que um falso amigo”.
Como temos a incrível cultura de imitar tudo que vem dos Eua, espero que copiem esta consciência de julgar as pessoas pelo seu caráter e idéias e competência para exercer o que esta se pretendendo fazer, e não pela cor da sua pele. E que tenhamos vergonha na cara para assumir a nossa verdadeira face, a assumamos que somos preconceituosos sim, que aqui existe racismo, que não é país igual, onde o preconceito que existe é o sócio-econômico, deixemos de ser hipócritas, fingindo tratar o outro igual, mais que nos recônditos de suas decisões os preconceitos vem a tona para prejudicar os que não pertencem a classe do fenótipo branco.
Sei que muitos vão discordar de mim, que vão me achar radical nas minhas colocações, porem foi eu quem ouviu a seguinte pergunta esta semana por usar meu cabelo natural, sem alisamento, com suas verdadeiras características: “Seu cabelo assim não coça não? Assim, quando bate o Sol, não fica coçando não?”. Eu simplesmente disse: - “Eu lavo meu cabelo, meu cabelo é limpo, ele esta natural, solto, o vento refresca tudo aqui, não há nada para coçar ou para abafar, o que faz coçar cabelo é sujeira, é igual qualquer cabelo que fique solto, inclusive o liso, que ao bater o Sol e ele estando limpo, não vai coçar.”.
Só me resta dizer que o racismo esta aí, nestes pequenos comentários, onde deixa claro que as características raciais do negro trás aspectos sujos, que o que é aparentemente mais higiênico é um cabelo alisado, mesmo que este, como muito que já vi por aí estejam realmente sujos e coçando. E então? Diante deste fato, me digam, nosso nos dias atuais o preconceito é somente de ordem sócio-econômica? Se acharem que sim, ainda está na cegueira branca, a cegueira do Saramago.
Vanessa Damásio.
“Eu tenho um sonho... neste sonho o homem será julgado pelo seu caráter, pela suas idéias, pela sua personalidade e não pela cor da sua pele.” (Martin Luther King)
Esta pequena frase do título deste texto foi pronunciada por Martim Luther King á mais ou menos 40 anos atrás, onde existia a segregação institucionalizada nos Estados Unidos da América, na qual um negro não podia freqüentar as mesmas escolas que os brancos, não podiam viajar no mesmo ônibus ou no mesmo lado dos brancos, onde as escolas eram feitas uma pra brancos outra para negros, onde existiam templos exclusivos pra negros e para brancos.
A história deste país no que diz a questões raciais é complicada nos embates que existiram e simples, na sua forma. Lá o racismo nunca fora às escondidas, velado, fingido, sempre foi às claras, agressivo, ostensivo, com grupos de extermínio como a Klu-klux-klan, que saia a queimar e matar negros, onde um garoto que dava “psiu” a uma mulher branca e este era morto. Tudo era agressivo, era sangrento. Porem o inimigo sempre foi declarado, e desta forma o combate foi ostensivo da mesma maneira, assim houve as transformações, que chegou ao ápice com a eleição de Barak Obama para presidente desta nação agora em 2008, este ano vai ficar marcado na história da humanidade, pois um país extremamente conservador, protestante, nacionalista, xenófobo, elegeu um homem negro, filho de uma branca norte-americana e um queniano negro que moraram com seu padrasto na Indonésia e finalmente no estado americano do Havaí.
Desta forma, este homem cosmopolita, que carrega em sua vida e cultura diversas partes do mundo, agora é presidente da nação mais influente e poderosa, nação esta que decide e influencia diretamente o mundo inteiro. E estas características nunca foram valorizadas pelos norte-americanos, e agora, imbuídos de um enorme desejo de mudança, onde viram que velhos valores e tradições estavam fincadas em pés de barro, que neste ultimo governo de George W. Bush mostrou o que há de pior nestes valores, finalmente abriram os olhos e acordaram da cegueira branca, a cegueira que me lembra a de José Saramago, e finalmente enxergam a realidade ao redor.
Pena que Luther King não esta vivo para vê que seu sonho se tornou realidade, que um homem em seu país foi finalmente julgado pelas suas idéias, pelo seu caráter, pelos seus ideais, e não pela cor da sua pele, mais muitos de seus colegas de lutas pela igualdade dos negros assistiram a esse dia histórico, como Reverendo Jackson e uma senhora negra de 102 anos que fez questão de ir votar e contribuir para esta mudança que nas palavras dela não esperava que fosse alcançar assistir em vida.
De certa forma, o racismo e diversos preconceitos ostensivos contribuíram para uma luta mais forte, mais ostensiva, sem críticas do tipo “pra que isso tudo?”, “não é necessária tanta força nessa luta”, porque o inimigo estava ali bem a frente, e não camuflado como acontece aqui em nosso país, e como diria os grandes combatentes de guerra, os estrategistas: “Antes um inimigo declarado que um falso amigo”.
Como temos a incrível cultura de imitar tudo que vem dos Eua, espero que copiem esta consciência de julgar as pessoas pelo seu caráter e idéias e competência para exercer o que esta se pretendendo fazer, e não pela cor da sua pele. E que tenhamos vergonha na cara para assumir a nossa verdadeira face, a assumamos que somos preconceituosos sim, que aqui existe racismo, que não é país igual, onde o preconceito que existe é o sócio-econômico, deixemos de ser hipócritas, fingindo tratar o outro igual, mais que nos recônditos de suas decisões os preconceitos vem a tona para prejudicar os que não pertencem a classe do fenótipo branco.
Sei que muitos vão discordar de mim, que vão me achar radical nas minhas colocações, porem foi eu quem ouviu a seguinte pergunta esta semana por usar meu cabelo natural, sem alisamento, com suas verdadeiras características: “Seu cabelo assim não coça não? Assim, quando bate o Sol, não fica coçando não?”. Eu simplesmente disse: - “Eu lavo meu cabelo, meu cabelo é limpo, ele esta natural, solto, o vento refresca tudo aqui, não há nada para coçar ou para abafar, o que faz coçar cabelo é sujeira, é igual qualquer cabelo que fique solto, inclusive o liso, que ao bater o Sol e ele estando limpo, não vai coçar.”.
Só me resta dizer que o racismo esta aí, nestes pequenos comentários, onde deixa claro que as características raciais do negro trás aspectos sujos, que o que é aparentemente mais higiênico é um cabelo alisado, mesmo que este, como muito que já vi por aí estejam realmente sujos e coçando. E então? Diante deste fato, me digam, nosso nos dias atuais o preconceito é somente de ordem sócio-econômica? Se acharem que sim, ainda está na cegueira branca, a cegueira do Saramago.
Vanessa Damásio.

2 comments:
Sim... um negro foi eleito presidente do país mais poderoso do mundo.... As vezes penso que ainda não entendo completamente a dimensão desse acontecimento... é grande demais!!!
O preconceito foi silenciado... O julgamento deixou de ser pela cor da pele e passou a levar em conta o caratér, as idéias...
O sonho de Martin Luther King virou realidade... finalmente o mundo está mudando!!!
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