10/04/2012

Costumes e moralidade – Hoje e sempre!
Todos nós que fazemos parte da sociedade dita contemporânea ficamos estarrecidos com os acontecimentos da obra “Gabriela, Cravo e Canela” do escritor Jorge Amado, e que ganhou vida dramatúrgica através do folhetim global. No enredo vemos uma sociedade machista, que transborda falso moralismo e aprisiona quem vive naquela época (década de 20 em Ilhéus), sufocando principalmente a mulher. Não quero entrar no mérito da adaptação da Rede Globo, estou apenas a falar da essência do romance de Jorge Amado, no qual, inteligentemente, criou o contraponto a toda aquela sociedade ao construir a personagem Gabriela, ser livre de todas as convenções, que vai para onde seu coração leva, sem se prender a nada nem ninguém! É como passarinho que vive voando sem fazer mal a ninguém, na sua ignorância e ingenuidade ela vai seguindo uma invejável vida, sendo um mundo a parte de todo aquele universo de prisões invisíveis. Muitos hoje dizem “ainda bem que estamos nos tempos atuais!!!” Sim, essa contemporaneidade que fala de direitos e liberdades, entretanto, na essência ainda mantém os mesmos pensamentos hipócritas e medíocres! Todos fingem serem pessoas de pensamento livre, opiniões modernas, etc e tal, porém isso não passa de discurso vazio, pois na prática, quando se deparam com as mulheres que ousam ser verdadeiramente livre como Gabriela, automaticamente agem com os coronéis e as senhoras defensoras da moral de dos bons costumes. Claro que as ações não se apresentam da maneira exacerbada da Ilhéus da década de 20 do século passado, porém de maneira velada e em mensagens subliminares vemos que em matéria de essência não evoluímos em absolutamente nada! Ser livre feito um passarinho é uma linda filosofia de vida e quando coloca em prática essa maneira de viver é essencialmente lindo pois não há falsidades e muito menos não meias palavras, é aquilo que é e pronto! No entanto paga-se um preço muito alto por ser livre, o que remete ao paradoxo shakespeariano: “Ser ou não ser, eis a questão?” – Ser livre e verdadeira sentindo as veladas condenações morais ou seguir as convenções e ser bem quista e vista por uma grande maioria? Eu, particularmente, paguei, pago e pretendo sempre pagar esse alto preço e ser essencialmente livre feito um passarinho, a voar e cantar!!!! Vanessa Damásio

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