8/19/2013
Não é uma questão de busca pela identidade.
10/04/2012
11/22/2009
Sexta, Sábado e Domingo – Das cinzas aos céus.
Nossa mente é um enigma, nós somos o que pensamos que somos. Às vezes acontecimentos desagradáveis nos puxam pra baixo e nos fazem desacreditar da gente, daí para o fundo do poço faltam milésimos.
Assistindo ao filme 2012, que fala sobre catástrofe e fim do mundo, como é comum do gênero, no seu final há o renascimento, no seu durante a luta resistindo aos gigantescos empecilhos. E, contudo isso vejo como nossa vida humana, demasiada humana, é frágil, é um nada. E percebo também como só nós mesmo, só nosso próprio eu tem que acreditar em nós mesmo pra sobreviver, pois se depender do outro, nos findaremos. Como disse uma amiga minha: “não chore, não fique no chão, não caia, pois ninguém lhe ajudará, pelo contrário, vão lhe empurrar para bem mais fundo, lhe pisar e estraçalha!”.
E é incrível como isso acontece, quanto mais estamos no fundo do poço, mais nos pisam e estraçalham conosco. Vi isso de perto em apenas três dias, quando me senti um zero a esquerda, um lixo ambulante, uma escoria diante dos outros, e todos através de gestos, palavras, pequenas atitudes reafirmavam isso. Porém quem mudou isso? Eu! Percebi que tudo que pensamos e agimos sobre nós mesmo reverbera ao universo, pois a energia que nos move no mundo durante a vida vem de dentro para fora, do nosso epicentro, e tocamos as pessoas ao nosso redor com essa energia. Por isso cuide bem de você, cuide de sua energia, cuide do seu epicentro.
Passar por momentos difíceis às vezes é cruel, parece que não tem fim, que não há saída, que lutamos diariamente
Não podemos desistir, a mola propulsora para não pararmos no tempo são as dificuldades e a vontade de vencê-las. Imagine se tudo fosse fácil, se tudo se realizasse como num piscar de olhos, qual seria a graça da vida, nunca teríamos aquela sensação que é quase um gozo, de quando conseguimos conquistar alguma coisa muito difícil. Como a primeira vez que ganhamos uma corrida no jardim de infância, ou aquela partida de futebol com os amigos onde, aquele gol quase não saia, ou aquele a sua formatura da faculdade que tanto lhe deu dor de cabeça pra terminar, com tantas noites sem dormir. Que graça teriam essas coisas se fossem fáceis? Não teriam, seria algo sem nexo, sem nada.
És muito diferente dos demais? Sua vida não é convencional? Em seu ciclo de amigos você às vezes não esta no mesmo contexto dos demais? Terrível, queria ser igual à boiada? A ância adolescente de se encaixar nos grupos não sai de nossas vidas, neste aspecto seremos sempre adolescentes. Então não sofra com isso, se você está passando por um momento parecido com esse descrito acima, que tal pensar ser alguém que se encontra além do tempo em que vive? Incompreendido por muitos por estar a anos luz desses demais? É assim sempre, os maiores gênios da humanidade não foram compreendidos no seu tempo, nem aceitos, foram marginais, excluídos, porem buscaram e acharam algo que só no futuro perceberam a importância.
Pra finalizar dou apenas um conselho, algo que criei para mim mesma seguir: deram-lhe defeitos, lhe disseram que não era bom o suficiente, que era estranho, esquisito, fora dos padrões que beiram a tal perfeição? Não se abata! Quem lhes disse isso não é possuidor da grandeza precisa para lhe compreender, é alguém deficiente e desprovido de algo que beira ao transcendental, em suma, é alguém certamente menor que você! Pense assim e a vida será mais vivida com força e vontade, nos amar acima de tudo e de todos, como diria a carta escrita á Sophie Calle, com a qual transformou em arte contemporânea, por ser possuidora dessas qualidades ditas acima: Cuide de você!
Vanessa Damásio.
11/10/2008

“Eu tenho um sonho... neste sonho o homem será julgado pelo seu caráter, pela suas idéias, pela sua personalidade e não pela cor da sua pele.” (Martin Luther King)
Esta pequena frase do título deste texto foi pronunciada por Martim Luther King á mais ou menos 40 anos atrás, onde existia a segregação institucionalizada nos Estados Unidos da América, na qual um negro não podia freqüentar as mesmas escolas que os brancos, não podiam viajar no mesmo ônibus ou no mesmo lado dos brancos, onde as escolas eram feitas uma pra brancos outra para negros, onde existiam templos exclusivos pra negros e para brancos.
A história deste país no que diz a questões raciais é complicada nos embates que existiram e simples, na sua forma. Lá o racismo nunca fora às escondidas, velado, fingido, sempre foi às claras, agressivo, ostensivo, com grupos de extermínio como a Klu-klux-klan, que saia a queimar e matar negros, onde um garoto que dava “psiu” a uma mulher branca e este era morto. Tudo era agressivo, era sangrento. Porem o inimigo sempre foi declarado, e desta forma o combate foi ostensivo da mesma maneira, assim houve as transformações, que chegou ao ápice com a eleição de Barak Obama para presidente desta nação agora em 2008, este ano vai ficar marcado na história da humanidade, pois um país extremamente conservador, protestante, nacionalista, xenófobo, elegeu um homem negro, filho de uma branca norte-americana e um queniano negro que moraram com seu padrasto na Indonésia e finalmente no estado americano do Havaí.
Desta forma, este homem cosmopolita, que carrega em sua vida e cultura diversas partes do mundo, agora é presidente da nação mais influente e poderosa, nação esta que decide e influencia diretamente o mundo inteiro. E estas características nunca foram valorizadas pelos norte-americanos, e agora, imbuídos de um enorme desejo de mudança, onde viram que velhos valores e tradições estavam fincadas em pés de barro, que neste ultimo governo de George W. Bush mostrou o que há de pior nestes valores, finalmente abriram os olhos e acordaram da cegueira branca, a cegueira que me lembra a de José Saramago, e finalmente enxergam a realidade ao redor.
Pena que Luther King não esta vivo para vê que seu sonho se tornou realidade, que um homem em seu país foi finalmente julgado pelas suas idéias, pelo seu caráter, pelos seus ideais, e não pela cor da sua pele, mais muitos de seus colegas de lutas pela igualdade dos negros assistiram a esse dia histórico, como Reverendo Jackson e uma senhora negra de 102 anos que fez questão de ir votar e contribuir para esta mudança que nas palavras dela não esperava que fosse alcançar assistir em vida.
De certa forma, o racismo e diversos preconceitos ostensivos contribuíram para uma luta mais forte, mais ostensiva, sem críticas do tipo “pra que isso tudo?”, “não é necessária tanta força nessa luta”, porque o inimigo estava ali bem a frente, e não camuflado como acontece aqui em nosso país, e como diria os grandes combatentes de guerra, os estrategistas: “Antes um inimigo declarado que um falso amigo”.
Como temos a incrível cultura de imitar tudo que vem dos Eua, espero que copiem esta consciência de julgar as pessoas pelo seu caráter e idéias e competência para exercer o que esta se pretendendo fazer, e não pela cor da sua pele. E que tenhamos vergonha na cara para assumir a nossa verdadeira face, a assumamos que somos preconceituosos sim, que aqui existe racismo, que não é país igual, onde o preconceito que existe é o sócio-econômico, deixemos de ser hipócritas, fingindo tratar o outro igual, mais que nos recônditos de suas decisões os preconceitos vem a tona para prejudicar os que não pertencem a classe do fenótipo branco.
Sei que muitos vão discordar de mim, que vão me achar radical nas minhas colocações, porem foi eu quem ouviu a seguinte pergunta esta semana por usar meu cabelo natural, sem alisamento, com suas verdadeiras características: “Seu cabelo assim não coça não? Assim, quando bate o Sol, não fica coçando não?”. Eu simplesmente disse: - “Eu lavo meu cabelo, meu cabelo é limpo, ele esta natural, solto, o vento refresca tudo aqui, não há nada para coçar ou para abafar, o que faz coçar cabelo é sujeira, é igual qualquer cabelo que fique solto, inclusive o liso, que ao bater o Sol e ele estando limpo, não vai coçar.”.
Só me resta dizer que o racismo esta aí, nestes pequenos comentários, onde deixa claro que as características raciais do negro trás aspectos sujos, que o que é aparentemente mais higiênico é um cabelo alisado, mesmo que este, como muito que já vi por aí estejam realmente sujos e coçando. E então? Diante deste fato, me digam, nosso nos dias atuais o preconceito é somente de ordem sócio-econômica? Se acharem que sim, ainda está na cegueira branca, a cegueira do Saramago.
Vanessa Damásio.
8/03/2008

Mulher
"Mulher, eu quase não consigo expressar
Minhas emoções confusas na minha negligência.
Afinal de contas, estou eternamente em dívida com você.
E, mulher, eu tentarei expressar
Meus sentimentos interiores e gratidão
Por me mostrar o significado do sucesso.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem.
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos.
E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração
Por mais que [estejamos] distantes, não nos mantenha separados.
Afinal de contas, está escrito nas estrelas...
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo,
Bem...
Mulher, por favor deixe-me explicar:
Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor.
Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo:
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim..."
Tradução de "Woman" (letra e musica de John Lennon)
7/26/2008
2004 – 2008: o que somos agora quatro anos depois?
Cá estou, depois de vê uma foto sob a qual tinha a legenda: 2004.
Pensamentos recorrentes sugiram depois desta leitura, pensamentos do tipo: tem quatro anos essa foto??? Parece que foi tirada ontem! Parece que foi ontem que eu sair do 3º ano do ensino médio, parece que foi ontem que estava com medo de perder em matemática e que estava sem saber o que profissão escolher para fazer vestibular. Quanta coisa mudou...
O Brasil mudou o que antes era inicio de um governo onde fora depositado confiança de que haveria mudanças no ritmo de ser orquestrado, continuou a mesma coisa. Decepção geral, revoltas dos eleitores e o alcance da seguinte conclusão: o que interessa é o poder!
A cidade do Salvador mudou, e como mudou! Quando a quatro anos atrás nos gabávamos em dizer que apesar de seus problemas, aqui era uma cidade grande porem não tão violenta quanto o Rio de Janeiro, andávamos de ônibus mais tranqüilos, não existia toque de recolher nos bairros periféricos, não havia este medo constante que esta instaurado hoje. Não existe mais dizer: “O Rio de Janeiro é pior do que aqui, lá não tem solução, não saiu daqui de Salvador.” O que existe agora é: “Salvador estar igual ao Rio, a diferença é que aqui não há morros. Se continuar assim vou providenciar morar e construir minha vida em outro lugar!”
Meus amigos, colegas contemporâneos de escola mudaram, e como mudaram, nossas conversas mudaram, nossas maneiras mudaram, nossos desejos e anseios mudaram, eu só percebo que uma coisa não mudou: a vontade de ir alem do alcançado, isso se adapta de acordo com a natureza de cada um, porém todos querem ir mais longe do que estão.
Entramos no mundo adulto, o tão desejado e temido mundo adulto! Na hora das brigas em suas famílias, com seus país e responsáveis queríamos ser logo adultos, trabalhar e morar só, sem ter ninguém pra mandar na gente. Falávamos o que pensávamos, protestávamos quando nos encontravam em momentos de injustiça e desvalorização, acreditamos que quando estivéssemos no lugar “deles” faríamos diferente: Esse negocio de chefe nos oprimir, de colegas de trabalho fazer intrigas para nos prejudicar não ia acontecer se fosse nós que estivéssemos no lugar deles... Como éramos inocentes e juvenis ao dizermos isso, estamos cometendo os mesmos erros, ou acertos... Não sei definir o que é certo e errado, só sei dizer que estamos sendo iguais a todo nosso passado, e construindo o futuro de forma igual.
Um nó na garganta me toma agora, um nó de saudades dos tempos de colégio, dos tempos em que eu realmente acreditava em mudar o mundo, que eu seria independente, que não levaria desaforo pra casa, saudades de acorda estudar e para a escola, filar alguma ali outra aqui, e adorar quando tocava a sirene anunciando o intervalo, saudades das brincadeiras de bicicleta e patins na rua, de ficar sem querer ir pra escola quando o Vitória perdia e tinha que agüentar a perturbação dos tricolores, dos jogos de dominó e dos professores, até dos professores mais odiados eu sinto falta, como era bom falar mal deles...
O jeito é enfrentar e continuar no mundo adulto, nesse mundo de medo: medo de perder o emprego, medo de não conseguir pagar as contas, medo de não melhorar, medo de não da o grito de libertação do sistema em que vivemos, ou simplesmente de não sermos pertencentes à classe dominante do sistema, até porque todos têm o direito de querer objetivos diferentes! O segredo no entanto é não perder a pequena parte do que fomos na infância e na adolescência, no final de tudo fazer uma brincadeirinha e pensar: Pois é, diante de tantos problemas eu ainda consigo me divertir! Viu uma criança e deu vontade de brincar com ela de bola, de bicicleta e patins: brinque esqueça a idade que tem, entre na idade deles, pois um dia você também foi criança e isso ainda estar guardado em si! Gosta de bichos, fica um idiota diante deles, fique um idiota e não tenha vergonha disso, pois isso nos dá uma leveza tão grande, um estímulo para a luta cotidiana. Vamos ser a exceção desta regra que dói em ser seguida, não tenhamos vergonha de ser e ter atitudes de criança e de um adolescente inconseqüente pelo menos em um momento do dia!
Vanessa Damásio.
12/15/2007

A tigresa ferida.
Pega de surpresa
Num momento de sutil abonança
Ferida na alma
Num raio de susto
Alma orgulhosa, ardorosa, amorosa.
Amor próprio exacerbado, porem necessário.
Sempre dona das situações
Sempre altiva, autoritária, suprema.
Puxaram seu pedestal no auge de sua glória
As escoriações são as cinzas para seu renascer
Caminhando no limbo, rastejando por caminhos escusos.
Reconstruindo sua persona nas trevas.
Esta prestes a ressurgir radiante
Transbordando de lasciva magnitude
Com suas ambições e sede de poder fortemente ampliado
Nunca pensem que uma tigresa fora derrotada por definitivo
Esta felina com garra afiada sempre segura o fio da vida e ressurgi das cinzas mais obscuras.
Com suas garra marca sempre por onde passa.
E escreve que a tigresa nunca perde a guerra
Apenas é enfraquecida em pequenas batalhas.
Retorna e distribui dor a quem lhe causou dores
E imenso amor a quem lhe ofereceu amor.
Vanessa Damásio.

