8/19/2013

Não é uma questão de busca pela identidade.

  Esse texto nasce de um acontecimento que me causou muito incômodo, principalmente por ser com alguém muito próximo a mim: uma garota de 13 anos que alisou os cabelos com escova progressiva.
  Vou começar pelos argumentos químicos. Escova progressiva é um método agressivo que destrói a estrutura capilar, na qual muitos produtos deste tipo de intervenção tem soda caustica (que usamos pra desentupir pia). Muitas usuárias desse produto já tiveram seus cabelos destruídos pelo chamado “corte químico” (o cabelo simplesmente parte por completo, ficando totalmente picotado), logo concluo que seja um método agressivo demais para ser usado numa garota de 13 anos.
  Porém minha inquietação vai muito além das razões químico, vou entrar no mérito das questões sócio-raciais mesmo, vou ser indigesta, incômoda, aquela que põe o dedo na ferida, pois é incrível como nossa sociedade em sua grande parte tem o costume de amenizar quando se trata de abordar esse tipo de questão, quando se depara com alguém que revela o que é “velado” é tido como radical, idealista e outros adjetivos ligados ao extremismo.
   Começo fazendo a seguinte pergunta: Alguém já ouviu falar em método para encrespar o cabelo? Em um produto que age na estrutura de um cabelo liso para deixá-lo crespo como o cabelo da etnia negra? Alguém já ouviu falar numa onda de encrespamento, uma moda onde mulheres que tem seus cabelos naturalmente lisos vão buscar encrespar os cabelos? Como já esperava, as respostas para essa pergunta serão todas negativas, o máximo que podem dizer é que tem pessoas de cabelo naturalmente liso que fazem dreads, não são muitas pessoas, sendo mais por uma questão da filosofia rastafári. Mais vamos direto ao ponto: E de onde vem a tal fase das escolhas? Digo isso pois ao comentar sobre esse assunto ouvir de uma pessoa muito próxima o argumento que “é fase, está indo na onda das amigas, todo mundo tem essa fase!” Não, não é fase. Fase pra mim é quando alguém vai pra tribo dos pagodeiros, ou funkeiros, ou emos, bicho-grilo, nerds e etc. Fase pra mim é boy band, onde as garotas se acabam de paixão por uma banda de garotos bonitos e vistosos, isso sim é fase, é quando há uma pluralidade, é algo que dá e passa.
   Neste quesito alisar cabelo não há pluralidade e sim uma isonomia, todas iguais esteticamente, todas querendo se enquadrar no padrão “Malhação”, onde o lindo protagonista (todos brancos) são perdidamente apaixonados por uma linda garota (todas brancas), e ainda tem a vilã que atrapalha o casal principal, sempre muito estilosa (e branca também). A essa altura tem gente que vai dizer “ahhh... mais tem negros em malhação!”, sim tem, sempre teve os cotistas antes mesmo da política de cotas, sempre teve um casal negro ou então o núcleo favelado sempre composto por negros.
  Agora me digam se um adolescente quer pertencer ao grupo menor, menos favorecido, com pouca representação, ou quer ser o centro das atenções, o foco, o exemplo a ser seguido? Então quem ele vai querer ser, os protagonistas ou o sub-núcleo? Já sabendo dessas respostas, então continuo a perguntar, alisar o cabelo é apenas uma fase, momento? 
  Se for, que fase longa hem? E diante desse debate direcionaram o seguinte comentário: você é muito idealista, também teve sua fase alisada! Realmente tive, durante toda a adolescência diga-se de passagem. Queria ser aceita, queria estar no padrão de beleza, ser admirada, pois os garotos, a mídia massiva, as pessoas na rua, todos falavam que cabelo bom é cabelo liso, e eu como toda adolescente que se preze queria ser bem vista e bem quista. Não foi escolha pois não havia (e não há ainda nos dias atuais) a pluralidade, foi imposição ideológica mesmo. E nesse caso em particular, passei a observar as fotos dessa garota de 13 anos acompanhada de suas colegas e te digo: quase todas com longos cabelos liso e sedosos, é realmente uma questão de fase ou de se enquadrar no padrão estético vigente?  
  Passei a ter consciência disso adulta, saída desse universo da necessidade estrema de aceitação, já na universidade. Passei a ver que a beleza nas minhas características, na minha etnia, agora eu digo, se eu quiser alisar será uma questão de escolha, não de imposição social (calma, não vou alisar, não combina com minhas características). 
   Se tudo isso sobre alisamentos fosse algo tranqüilo, de fase, não haveriam produtos químicos tão agressivos a ponto de lhe escravizar por não permitir que seu cabelo volte a estrutura natural, seria algo que iria alternando em fases alisadas, fases crespas, fases trançado e assim por diante. O engessamento aos padrões racistas é explicitamente exposto quando a garota adolescente após algumas semanas depois de usar um produto que não age na estrutura do cabelo diz: Ah! Esse produto não alisa direito, meu cabelo endureceu rápido, quero aplicar outra coisa! Isso mostra a intolerância em aceitar o cabelo como ele é, o cabelo de negro, cabelo crespo, então parte em direção a agressividade da escova progressiva pra alisar em definitivo. 
   Acredito que para nós, adultos e pais, devem reverter esse quadro de violência psicológica ena qual nossas crianças de jovens negros sofrem no mundo afora. Temos que dentro de casa, no seio familiar, criarmos a conscientização, elevar a estima e a essência das nossas crianças quanto com suas características da etnia negra, afirmando sua beleza apesar da imposição estética do mundo midiático. Como? Que tal comprando bonecos negros? Acho que já é um bom começo!

 Vanessa Damásio
 Professora de artes, bacharel artes cênicas e pós graduanda em psicopedagogia institucinal.

10/04/2012

Costumes e moralidade – Hoje e sempre!
Todos nós que fazemos parte da sociedade dita contemporânea ficamos estarrecidos com os acontecimentos da obra “Gabriela, Cravo e Canela” do escritor Jorge Amado, e que ganhou vida dramatúrgica através do folhetim global. No enredo vemos uma sociedade machista, que transborda falso moralismo e aprisiona quem vive naquela época (década de 20 em Ilhéus), sufocando principalmente a mulher. Não quero entrar no mérito da adaptação da Rede Globo, estou apenas a falar da essência do romance de Jorge Amado, no qual, inteligentemente, criou o contraponto a toda aquela sociedade ao construir a personagem Gabriela, ser livre de todas as convenções, que vai para onde seu coração leva, sem se prender a nada nem ninguém! É como passarinho que vive voando sem fazer mal a ninguém, na sua ignorância e ingenuidade ela vai seguindo uma invejável vida, sendo um mundo a parte de todo aquele universo de prisões invisíveis. Muitos hoje dizem “ainda bem que estamos nos tempos atuais!!!” Sim, essa contemporaneidade que fala de direitos e liberdades, entretanto, na essência ainda mantém os mesmos pensamentos hipócritas e medíocres! Todos fingem serem pessoas de pensamento livre, opiniões modernas, etc e tal, porém isso não passa de discurso vazio, pois na prática, quando se deparam com as mulheres que ousam ser verdadeiramente livre como Gabriela, automaticamente agem com os coronéis e as senhoras defensoras da moral de dos bons costumes. Claro que as ações não se apresentam da maneira exacerbada da Ilhéus da década de 20 do século passado, porém de maneira velada e em mensagens subliminares vemos que em matéria de essência não evoluímos em absolutamente nada! Ser livre feito um passarinho é uma linda filosofia de vida e quando coloca em prática essa maneira de viver é essencialmente lindo pois não há falsidades e muito menos não meias palavras, é aquilo que é e pronto! No entanto paga-se um preço muito alto por ser livre, o que remete ao paradoxo shakespeariano: “Ser ou não ser, eis a questão?” – Ser livre e verdadeira sentindo as veladas condenações morais ou seguir as convenções e ser bem quista e vista por uma grande maioria? Eu, particularmente, paguei, pago e pretendo sempre pagar esse alto preço e ser essencialmente livre feito um passarinho, a voar e cantar!!!! Vanessa Damásio

11/22/2009


Sexta, Sábado e Domingo – Das cinzas aos céus.



Nossa mente é um enigma, nós somos o que pensamos que somos. Às vezes acontecimentos desagradáveis nos puxam pra baixo e nos fazem desacreditar da gente, daí para o fundo do poço faltam milésimos.

Assistindo ao filme 2012, que fala sobre catástrofe e fim do mundo, como é comum do gênero, no seu final há o renascimento, no seu durante a luta resistindo aos gigantescos empecilhos. E, contudo isso vejo como nossa vida humana, demasiada humana, é frágil, é um nada. E percebo também como só nós mesmo, só nosso próprio eu tem que acreditar em nós mesmo pra sobreviver, pois se depender do outro, nos findaremos. Como disse uma amiga minha: “não chore, não fique no chão, não caia, pois ninguém lhe ajudará, pelo contrário, vão lhe empurrar para bem mais fundo, lhe pisar e estraçalha!”.

E é incrível como isso acontece, quanto mais estamos no fundo do poço, mais nos pisam e estraçalham conosco. Vi isso de perto em apenas três dias, quando me senti um zero a esquerda, um lixo ambulante, uma escoria diante dos outros, e todos através de gestos, palavras, pequenas atitudes reafirmavam isso. Porém quem mudou isso? Eu! Percebi que tudo que pensamos e agimos sobre nós mesmo reverbera ao universo, pois a energia que nos move no mundo durante a vida vem de dentro para fora, do nosso epicentro, e tocamos as pessoas ao nosso redor com essa energia. Por isso cuide bem de você, cuide de sua energia, cuide do seu epicentro.

Passar por momentos difíceis às vezes é cruel, parece que não tem fim, que não há saída, que lutamos diariamente em vão. Porém não podemos desistir, temos que tirar energia do útero (Desculpe homens, porem útero só cabem as mulheres). Digo útero por que é simbólico, é de onde geramos o mundo, de onde sentimos a dor do parto, as terríveis cólicas menstruais, e no final de tudo sobrevivemos fortes para continuar a vida.

Não podemos desistir, a mola propulsora para não pararmos no tempo são as dificuldades e a vontade de vencê-las. Imagine se tudo fosse fácil, se tudo se realizasse como num piscar de olhos, qual seria a graça da vida, nunca teríamos aquela sensação que é quase um gozo, de quando conseguimos conquistar alguma coisa muito difícil. Como a primeira vez que ganhamos uma corrida no jardim de infância, ou aquela partida de futebol com os amigos onde, aquele gol quase não saia, ou aquele a sua formatura da faculdade que tanto lhe deu dor de cabeça pra terminar, com tantas noites sem dormir. Que graça teriam essas coisas se fossem fáceis? Não teriam, seria algo sem nexo, sem nada.

És muito diferente dos demais? Sua vida não é convencional? Em seu ciclo de amigos você às vezes não esta no mesmo contexto dos demais? Terrível, queria ser igual à boiada? A ância adolescente de se encaixar nos grupos não sai de nossas vidas, neste aspecto seremos sempre adolescentes. Então não sofra com isso, se você está passando por um momento parecido com esse descrito acima, que tal pensar ser alguém que se encontra além do tempo em que vive? Incompreendido por muitos por estar a anos luz desses demais? É assim sempre, os maiores gênios da humanidade não foram compreendidos no seu tempo, nem aceitos, foram marginais, excluídos, porem buscaram e acharam algo que só no futuro perceberam a importância.

Pra finalizar dou apenas um conselho, algo que criei para mim mesma seguir: deram-lhe defeitos, lhe disseram que não era bom o suficiente, que era estranho, esquisito, fora dos padrões que beiram a tal perfeição? Não se abata! Quem lhes disse isso não é possuidor da grandeza precisa para lhe compreender, é alguém deficiente e desprovido de algo que beira ao transcendental, em suma, é alguém certamente menor que você! Pense assim e a vida será mais vivida com força e vontade, nos amar acima de tudo e de todos, como diria a carta escrita á Sophie Calle, com a qual transformou em arte contemporânea, por ser possuidora dessas qualidades ditas acima: Cuide de você!



Vanessa Damásio.

11/10/2008


I have dream...

“Eu tenho um sonho... neste sonho o homem será julgado pelo seu caráter, pela suas idéias, pela sua personalidade e não pela cor da sua pele.” (Martin Luther King)

Esta pequena frase do título deste texto foi pronunciada por Martim Luther King á mais ou menos 40 anos atrás, onde existia a segregação institucionalizada nos Estados Unidos da América, na qual um negro não podia freqüentar as mesmas escolas que os brancos, não podiam viajar no mesmo ônibus ou no mesmo lado dos brancos, onde as escolas eram feitas uma pra brancos outra para negros, onde existiam templos exclusivos pra negros e para brancos.
A história deste país no que diz a questões raciais é complicada nos embates que existiram e simples, na sua forma. Lá o racismo nunca fora às escondidas, velado, fingido, sempre foi às claras, agressivo, ostensivo, com grupos de extermínio como a Klu-klux-klan, que saia a queimar e matar negros, onde um garoto que dava “psiu” a uma mulher branca e este era morto. Tudo era agressivo, era sangrento. Porem o inimigo sempre foi declarado, e desta forma o combate foi ostensivo da mesma maneira, assim houve as transformações, que chegou ao ápice com a eleição de Barak Obama para presidente desta nação agora em 2008, este ano vai ficar marcado na história da humanidade, pois um país extremamente conservador, protestante, nacionalista, xenófobo, elegeu um homem negro, filho de uma branca norte-americana e um queniano negro que moraram com seu padrasto na Indonésia e finalmente no estado americano do Havaí.
Desta forma, este homem cosmopolita, que carrega em sua vida e cultura diversas partes do mundo, agora é presidente da nação mais influente e poderosa, nação esta que decide e influencia diretamente o mundo inteiro. E estas características nunca foram valorizadas pelos norte-americanos, e agora, imbuídos de um enorme desejo de mudança, onde viram que velhos valores e tradições estavam fincadas em pés de barro, que neste ultimo governo de George W. Bush mostrou o que há de pior nestes valores, finalmente abriram os olhos e acordaram da cegueira branca, a cegueira que me lembra a de José Saramago, e finalmente enxergam a realidade ao redor.
Pena que Luther King não esta vivo para vê que seu sonho se tornou realidade, que um homem em seu país foi finalmente julgado pelas suas idéias, pelo seu caráter, pelos seus ideais, e não pela cor da sua pele, mais muitos de seus colegas de lutas pela igualdade dos negros assistiram a esse dia histórico, como Reverendo Jackson e uma senhora negra de 102 anos que fez questão de ir votar e contribuir para esta mudança que nas palavras dela não esperava que fosse alcançar assistir em vida.
De certa forma, o racismo e diversos preconceitos ostensivos contribuíram para uma luta mais forte, mais ostensiva, sem críticas do tipo “pra que isso tudo?”, “não é necessária tanta força nessa luta”, porque o inimigo estava ali bem a frente, e não camuflado como acontece aqui em nosso país, e como diria os grandes combatentes de guerra, os estrategistas: “Antes um inimigo declarado que um falso amigo”.
Como temos a incrível cultura de imitar tudo que vem dos Eua, espero que copiem esta consciência de julgar as pessoas pelo seu caráter e idéias e competência para exercer o que esta se pretendendo fazer, e não pela cor da sua pele. E que tenhamos vergonha na cara para assumir a nossa verdadeira face, a assumamos que somos preconceituosos sim, que aqui existe racismo, que não é país igual, onde o preconceito que existe é o sócio-econômico, deixemos de ser hipócritas, fingindo tratar o outro igual, mais que nos recônditos de suas decisões os preconceitos vem a tona para prejudicar os que não pertencem a classe do fenótipo branco.
Sei que muitos vão discordar de mim, que vão me achar radical nas minhas colocações, porem foi eu quem ouviu a seguinte pergunta esta semana por usar meu cabelo natural, sem alisamento, com suas verdadeiras características: “Seu cabelo assim não coça não? Assim, quando bate o Sol, não fica coçando não?”. Eu simplesmente disse: - “Eu lavo meu cabelo, meu cabelo é limpo, ele esta natural, solto, o vento refresca tudo aqui, não há nada para coçar ou para abafar, o que faz coçar cabelo é sujeira, é igual qualquer cabelo que fique solto, inclusive o liso, que ao bater o Sol e ele estando limpo, não vai coçar.”.
Só me resta dizer que o racismo esta aí, nestes pequenos comentários, onde deixa claro que as características raciais do negro trás aspectos sujos, que o que é aparentemente mais higiênico é um cabelo alisado, mesmo que este, como muito que já vi por aí estejam realmente sujos e coçando. E então? Diante deste fato, me digam, nosso nos dias atuais o preconceito é somente de ordem sócio-econômica? Se acharem que sim, ainda está na cegueira branca, a cegueira do Saramago.

Vanessa Damásio.

8/03/2008


Mulher

"Mulher, eu quase não consigo expressar
Minhas emoções confusas na minha negligência.
Afinal de contas, estou eternamente em dívida com você.
E, mulher, eu tentarei expressar
Meus sentimentos interiores e gratidão
Por me mostrar o significado do sucesso.

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.

Mulher, eu sei que você compreende
A criancinha dentro do homem.
Por favor, lembre-se: minha vida está em suas mãos.
E, mulher, mantenha-me próximo do seu coração
Por mais que [estejamos] distantes, não nos mantenha separados.
Afinal de contas, está escrito nas estrelas...

Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo.
Ooh, bem, bem,
Doo, doo, doo, doo, doo,
Bem...

Mulher, por favor deixe-me explicar:
Eu nunca tive intenção de te causar tristeza ou dor.
Então, deixe-me te dizer de novo e de novo e de novo:

Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim,
Agora e eternamente.
Eu te amo, sim, sim..."

É raro, porem existiu um homem com essa sensibilidade, esta capacidade de nos retratar e nos respeitar. Yoko Ono foi uma mulher de sorte, e o mundo também por ter permitido que ele se expressa-se e nos mostrando sua grande capacidade de retratar através da musica situações recorrentes em nossas vidas.

Tradução de "Woman" (letra e musica de John Lennon)


7/26/2008


2004 – 2008: o que somos agora quatro anos depois?

Cá estou, depois de vê uma foto sob a qual tinha a legenda: 2004.

Pensamentos recorrentes sugiram depois desta leitura, pensamentos do tipo: tem quatro anos essa foto??? Parece que foi tirada ontem! Parece que foi ontem que eu sair do 3º ano do ensino médio, parece que foi ontem que estava com medo de perder em matemática e que estava sem saber o que profissão escolher para fazer vestibular. Quanta coisa mudou...

O Brasil mudou o que antes era inicio de um governo onde fora depositado confiança de que haveria mudanças no ritmo de ser orquestrado, continuou a mesma coisa. Decepção geral, revoltas dos eleitores e o alcance da seguinte conclusão: o que interessa é o poder!

A cidade do Salvador mudou, e como mudou! Quando a quatro anos atrás nos gabávamos em dizer que apesar de seus problemas, aqui era uma cidade grande porem não tão violenta quanto o Rio de Janeiro, andávamos de ônibus mais tranqüilos, não existia toque de recolher nos bairros periféricos, não havia este medo constante que esta instaurado hoje. Não existe mais dizer: “O Rio de Janeiro é pior do que aqui, lá não tem solução, não saiu daqui de Salvador.” O que existe agora é: “Salvador estar igual ao Rio, a diferença é que aqui não há morros. Se continuar assim vou providenciar morar e construir minha vida em outro lugar!”

Meus amigos, colegas contemporâneos de escola mudaram, e como mudaram, nossas conversas mudaram, nossas maneiras mudaram, nossos desejos e anseios mudaram, eu só percebo que uma coisa não mudou: a vontade de ir alem do alcançado, isso se adapta de acordo com a natureza de cada um, porém todos querem ir mais longe do que estão.

Entramos no mundo adulto, o tão desejado e temido mundo adulto! Na hora das brigas em suas famílias, com seus país e responsáveis queríamos ser logo adultos, trabalhar e morar só, sem ter ninguém pra mandar na gente. Falávamos o que pensávamos, protestávamos quando nos encontravam em momentos de injustiça e desvalorização, acreditamos que quando estivéssemos no lugar “deles” faríamos diferente: Esse negocio de chefe nos oprimir, de colegas de trabalho fazer intrigas para nos prejudicar não ia acontecer se fosse nós que estivéssemos no lugar deles... Como éramos inocentes e juvenis ao dizermos isso, estamos cometendo os mesmos erros, ou acertos... Não sei definir o que é certo e errado, só sei dizer que estamos sendo iguais a todo nosso passado, e construindo o futuro de forma igual.

Um nó na garganta me toma agora, um nó de saudades dos tempos de colégio, dos tempos em que eu realmente acreditava em mudar o mundo, que eu seria independente, que não levaria desaforo pra casa, saudades de acorda estudar e para a escola, filar alguma ali outra aqui, e adorar quando tocava a sirene anunciando o intervalo, saudades das brincadeiras de bicicleta e patins na rua, de ficar sem querer ir pra escola quando o Vitória perdia e tinha que agüentar a perturbação dos tricolores, dos jogos de dominó e dos professores, até dos professores mais odiados eu sinto falta, como era bom falar mal deles...

O jeito é enfrentar e continuar no mundo adulto, nesse mundo de medo: medo de perder o emprego, medo de não conseguir pagar as contas, medo de não melhorar, medo de não da o grito de libertação do sistema em que vivemos, ou simplesmente de não sermos pertencentes à classe dominante do sistema, até porque todos têm o direito de querer objetivos diferentes! O segredo no entanto é não perder a pequena parte do que fomos na infância e na adolescência, no final de tudo fazer uma brincadeirinha e pensar: Pois é, diante de tantos problemas eu ainda consigo me divertir! Viu uma criança e deu vontade de brincar com ela de bola, de bicicleta e patins: brinque esqueça a idade que tem, entre na idade deles, pois um dia você também foi criança e isso ainda estar guardado em si! Gosta de bichos, fica um idiota diante deles, fique um idiota e não tenha vergonha disso, pois isso nos dá uma leveza tão grande, um estímulo para a luta cotidiana. Vamos ser a exceção desta regra que dói em ser seguida, não tenhamos vergonha de ser e ter atitudes de criança e de um adolescente inconseqüente pelo menos em um momento do dia!

Vanessa Damásio.

12/15/2007


A tigresa ferida.

Pega de surpresa

Num momento de sutil abonança

Ferida na alma

Num raio de susto

Alma orgulhosa, ardorosa, amorosa.

Amor próprio exacerbado, porem necessário.

Sempre dona das situações

Sempre altiva, autoritária, suprema.

Puxaram seu pedestal no auge de sua glória

As escoriações são as cinzas para seu renascer

Caminhando no limbo, rastejando por caminhos escusos.

Reconstruindo sua persona nas trevas.

Esta prestes a ressurgir radiante

Transbordando de lasciva magnitude

Com suas ambições e sede de poder fortemente ampliado

Nunca pensem que uma tigresa fora derrotada por definitivo

Esta felina com garra afiada sempre segura o fio da vida e ressurgi das cinzas mais obscuras.

Com suas garra marca sempre por onde passa.

E escreve que a tigresa nunca perde a guerra

Apenas é enfraquecida em pequenas batalhas.

Retorna e distribui dor a quem lhe causou dores

E imenso amor a quem lhe ofereceu amor.


Vanessa Damásio.